terça-feira, 24 de abril de 2018

Tristeza.

Tristeza se define tão somente quanto se vive. Não existe a possibilidade de explicar a tristeza por meio de palavras sem ter tido ou estar passando por algo que não exija a experiência do sentimento. Nunca pensei que ela fosse chegar como ela chegou, mas aconteceu. Muitas vezes são das piores maneiras e daquelas que nós nunca imaginamos envolvendo o que existe de mais precioso para nós: um parente, amigos, cônjuge. Nós nos afligimos e afligimos a outros ou simplesmente contamos com situações da vida a qual não depende de nós. Doença, morte. Totalmente independente e penoso para todos. 

Nos filmes parece haver sempre uma solução, mas quando estamos na vida real com a nossa vida, você fica se perguntando: é possível resolver tudo isso? Como sair desse estado de torpor, medo, choro, amargura, raiva, indecisão e espera? Sair desse estado não me parece muito difícil quando se é cristã. Acabamos encarando a vida como ela é, devido ao que aconteceu. O que fica na cabeça sempre será o "e se?". E se ele estivesse ceando conosco neste Natal? E se eu tivesse resistido mais firme a pressão? E se essa doença não tivesse surgido? São tantos que nos faz remoer por dentro. Remoer por ficar cogitando se de fato essa foi a nossa melhor solução, se aproveitamos o tempo suficiente com aquela pessoa e se escolhemos as devidas palavras. 

Meus amigos, nós somos humanos. Se essas inquietações não fossem parte de nossas vidas nós seríamos extraterrestres ou talvez doentes mentais. O sentimento é parte de nós e as inquietações também, se não existissem não tomaríamos boas decisões. Contudo remoer é o que nos torna fracos demais para prosseguir. O que passou, passou. Fizemos o que pudemos, dissemos o que dissemos, decidimos o que decidimos. E que Deus nos ajude. Se foi a melhor decisão? Pode ser que não, mas ainda sim, prosseguir. 

É um erro dizer que nunca mais pensaremos sobre as complicações que vivemos, mas é evitar que nos domine e deixar que tome a nossa vida tomando toda a luz que nos faz brilhar nos olhos toda manhã. É difícil, como dizem, ninguém prometeu que seria fácil. Mas ore. É o consolo do nosso Senhor Jesus que abrandará os nossos corações para tomarmos rumos certeiros. 


domingo, 27 de dezembro de 2015

Zombaria e mentiras

Foi interessante tudo isso. Peguei minha carteira vermelha, encaixando-a pela minha mão. As questões são tão incertas e o mundo tão errado, era a hora de tentar concertar um pouco as coisas que fiz de errado e aquelas que fiz certo para dar errado. Sabia que o tinha perdido para um mundo que não se denominava cruel, mas ele era. Doía, doía muito.
Meus sapatos de salto faziam a minha roupa completa, uma calça preta justa e uma blusa solta azul marinho. Dirigi rápido para o lugar onde ele costumava frequentar, um lugar de onde eu o tinha tirado para mostrar que a vida era muito mais que aquele mundo fechado que ele possuía. Mostrei que não havia necessidade de beber, de se drogar, de dizer coisas fúteis, maléficas. Ri infeliz, ele somente pensava nas segundas intenções antes de me encontrar. Enquanto ria, chorava. Enquanto eu o ganhava eu o perdia.
O azar havia sido meu, e a sorte acompanhada da escuridão foi o que ele decidiu escolher. Estacionei, descendo do carro e entrando naquela grande balada da cidade grande. Foi difícil encontrá-lo, passei por volta de uma hora o procurando até o encontrar um algumas garotas, balançando o cigarro pelos lábios. Passei uma mão por minha bochecha, aquela lágrima realmente me irritou, me fazendo soluçar. Controlei-me por um segundo, até acalmar o meu coração que batia freneticamente dentro do meu peito.
Não vou dizer que tinha tudo certo na vida, mas tenho certeza de algumas coisas essenciais que não abro mão jamais. Coisas que eu aprendi e que carrego, não importa o que as pessoas digam. Convicta, me aproximei dele deixando seus olhos arregalados sobre minha mão, a qual retirava o anel de compromisso lentamente. Peguei sua mão, deixando as suas duas mulheres atônitas, entregando o anel.
-Hei. - Ele me chamou, correndo atrás de mim pela multidão. Eu queria falar, mas não ali. - Me escuta. - Segurando meu antebraço, me puxou para ele e então sorri.
-Escuta você. - Disse, tentando não ser ríspida, mas era impossível. - Eu dei tudo aquilo que eu tinha de mais precioso e depois de um primeiro momento lindo, você zombou de mim. - Cuspi na cara dele minhas palavras. - Zombou das minhas verdadeiras palavras de tudo aquilo que mais significava para mim. - Ri, cheia de ironia. - Eu quis ver o seu melhor lado, porque sei que as pessoas podem mudar para uma coisa melhor do que elas são. Só que não aconteceu com você e eu fui uma boba. Boba por tentar querer fazer isso dar certo, enquanto você mentia com sua grande cara de idiota admirado. - Fechei os olhos. - Consegui me levar a me detestar por ter falhado, por ter me auto-destruído. Não haverá uma próxima vez, você falhou comigo. Com aquilo que eu tinha para oferecer. - Meu coração afundou no peito e depois abri os olhos para encará-lo e ele ainda estava ali estático.
-Eu não queria...
-Mas assim aconteceu. - Disse dura, inflexível. - Estamos aqui, então é porque não tivemos um bom fim, apesar de um lindo começo. - Joguei, soltando meu braço de seu aperto firme. - Continuo aqui para te ajudar naquilo que precisar, mas não corro mais atrás, porque agora cada um precisa decidir aquilo que quer mesmo que doa. Conte comigo como mais uma grande amiga do desabafo, mas jamais para algo além disso. Você passou dos limites. - Fechei os olhos de novo, com medo de dizer aquelas palavras. - Mas, você também ainda tem chances de se recuperar. Me fechar totalmente seria um pleno ato de egoísmo e nunca fui boa para isso. Pareço me contradizer, mas pense nas minhas palavras, porque depois de tudo o que vivemos, aprendemos juntos, você entenderá.
Dei um sorriso nervoso, ainda vendo seus olhos sobre mim, impassíveis. Sem expressão? Eu não sabia mais. Aquele não era o cara que tinha conhecido antes. Levantei meus dois braços, rendida. A situação não estava mais em meu poder, eu tinha me machucado. Depois de um tempo... Quem sabe um amigo, nada mais. Afastei meus pés dali voltando para casa. Não vou dizer que não chorei para não mentir, mas passou. Porque eu tinha algo muito mais forte para me sustentar. 

sábado, 23 de maio de 2015

Aparecidos

Eu havia acabado de descer do ônibus e estava esperando um outro, já que o consultório da minha dentista ficava longe da parte central da cidade. Para dar uma piorada, estava aquela chuva que vinha e voltava com um vento que a inclinava deixando a conclusão que usar um guarda-chuva era uma perda de tempo completa. 
Você está lá tranquilamente quando chega um senhor, cabelo até nos ombros, brancos, sem barba, com óculos corrigindo provavelmente a miopia assim como eu. Estando sem guarda-chuva, ele entra sobre o meu e pergunta: 
- Posso ficar aqui com você? 
- Claro. - Dei um certo espaço a ele, não estava chovendo tanto. 
- Mas não pense que é para te "pegar". Aliás, eu tenho namorado! 
Bom, comecei a me perguntar quando raios pensaria que ficar com alguém debaixo da chuva com a declaração "posso ficar aqui com você" quando se está chovendo e a pessoa perceptivelmente não possui abrigo próprio poderia ter a intenção de te dar um beijo logo ali. Segundo pensamento foi: que tipo de atitude, expressão tomei para que alguém achasse que provavelmente eu teria cogitado em alguma ideia dessa, aliás ele me parecia ser um senhor inofensivo não alguém que me agarraria. Terceiro é: por que cargas d'água acrescentar essa última frase do diálogo? Minha expressão deve ter sido do tipo "ok".
- É, isso mesmo. - Pontada de desaprovação no tom de voz. - Sabe se esse ônibus vai para Av. Laranja? - Eu não sabia muito sobre as linhas de ônibus. 
- Eu não sei, só estudo aqui. Pergunte para o motorista, ele pode te responder melhor. - Ele assentiu e perguntou para algumas pessoas ali perto, leu o nome das ruas que passavam no letreiro no ônibus o qual ele poderia pegar. Alguns segundos depois ele perguntou ao motorista quando todos subiram, obteve resposta e voltou ao meu guarda-chuva. 
- É, parece que ele não vai para lá. Quem esperava essa chuva não? 
- Sim, foi de repente. - Sorri, enquanto ele virava e falava mais algo que eu não tinha entendido. 
- Bem, obrigado. - Virou-se e foi embora, permanecendo debaixo da banca protegendo-se da chuva.
Aparecidos por aí.  

domingo, 9 de novembro de 2014

Compondo

"Meus dedos dedilhavam as cordas do violão lentamente, cantando suavemente, passeando pelos pensamentos, esperando. Fale apenas algumas palavras para parecer uma eternidade, fale outras para tornar-se agora."

sábado, 25 de outubro de 2014

Debates.

{Análise hipotética}
- Questão. 
- Durante esses quatro anos, candidato, suas escolas tem tido uma péssima qualidade, principalmente no nordeste e norte, escolas não tem telhado, janelas e muitos não tem o conhecimento tão pouco de ler e escrever passando do tempo de aprender essas simples medidas da alfabetização. O que nos fala sobre isso?
- Tempo. Resposta.
- No meu governo, nós vamos melhorar ainda mais todo o programa de educação. Já foram construídas 463 escolas pelo país, melhoramos sua infra-estrutura para que recebam uma educação com uma qualidade maior do que já possui. - Respira. - Nesse ano, inauguramos o programa "caderno para todos" em que todos os estudantes terão material para que consigam assistir as aulas de maneira adequada, anotando todo o conhecimento transmitido por seus professores. - Mexe na folha. - Foi no seu governo, candidato que nós brasileiros não percebemos uma melhora na educação, tanto na qualidade quanto na infra-estrutura dada aos estudantes. 
- Tempo. Réplica. 
- Candidato, uma questão que gostaria de entender e deixar clara para todos os brasileiros que assistem a esse debate. Como a senhora pretende fazer isso que propôs?
- Oi?

{ Para debates melhores, explicativos, com propostas mais consolidadas. }