- Oi.
- Oi. - Silêncio.
- Esse é o seu ônibus? - Ela olhou para cima.
- Ah, é sim. Obrigada por avisar. - ela sorriu e ele assentiu levantando.
- É o meu também.
Os dois subiram e cada um desceu em seu ponto.
(Segundo dia)
- Oi de novo.
- Oi. - Ela acenou olhando para a rua desta vez.
- Quer chiclete?
- Não, obrigada. - Recusou delicadamente.
- Claro que quer. - Rindo, ele colocou um ao lado dela que hesitou em pegar apenas por alguns poucos segundos.
- O ônibus. - Ele apontou e ela levantou num pulo.
- Acho que vou precisar anunciar toda vez, sua desatenta. - Sorrindo os dois entraram no ônibus descendo em pontos diferentes.
(Terceiro dia)
- Hei. - Ele chegou.
- Oi. - Ela falou fraquinho.
- Você me parece doente.
- Eu estou doente. - Ela soltou o ar, cansada.
- Está se sentindo bem? Dói em algum lugar? - Ele estava parado, mas queria muito mover-se para ver a situação dela.
- Minha cabeça, minha garganta. - Ela disse abraçando-se.
- O ônibus. - Eles subiram e sentaram-se juntos.
Desceram no mesmo ponto.
- O que está fazendo? - Ela disse com o queixo tremendo.
- Te levando pra casa.
- Não precisava.
- Não importa.
Ela foi na frente pegando as chaves ainda tremendo, abriu o portão da casa.
- Tem alguém com você?
- Sim, outra menina que faz o mesmo curso que eu. - Mais silêncio.
- Cuide-se. - Ele se virou e voltou ao ponto.
(Quarto dia)
Ela não foi.
(Quinto dia)
- Melhorou então?
- Fui ao médico e os remédios estão fazendo efeito aos poucos. - Ela sorriu bem melhor.
- Bom. - Ele deu um meio sorriso. Ela colocou o casaco.
- Chuva que eu não podia pegar. - Ela soltou e ele franziu o cenho.
- Amanhã tem um festa no bloco da medicina.
- Eu não vou nas festas.
- Menina estudiosa. - Ele riu, deixando-a com as bochechas vermelhas.
- Sensata.
- Cada um tem um adjetivo para isso.
- É mesmo. - Olhando para o além ela o ouviu.
- Vamos sair amanhã pra outro lugar então. - Ela olhou pra ele rindo, cruzando os braços.
- Nem concordei com nada.
- Não precisa, eu sei que vai. - Ele piscou e então subiram no ônibus, sentando-se em lugares diferentes. Dia de ônibus cheio.
(Sexto dia)
- Vou passar na sua casa daqui uma hora. - Ele sentou e ela soltou um sorriso.
- Não vai, eu não aceitei nada. - Ele semicerrou os olhos.
- Não quer sair comigo. - Ela baixou os olhos vermelha nas bochechas, respirou fundo.
- Não é isso, é que é muito repentino. - Ela tentou dissuadi-lo.
- Uai, não posso sair com minha amiga? - Ele arregalou os olhos e ela abaixou os ombros.
- Pode. - Sussurrou, olhando para a rua.
Viram o ônibus, deram sinal e entraram sentando um ao lado do outro.
- Tchau, até daqui a pouco. - Ele disse quando ela desceu.
Uma hora depois...
- Você veio mesmo! - Ela falou alto com um gritinho.
- Eu falei que ia estar aqui. - Ele falou casualmente, vestindo jeans e uma camiseta e as mãos nos bolsos.
- Mas... Eu nem... - Ela olhou para a roupa que costumava usar em casa. Short e camiseta larga.
- Eu notei e me preparei pra isso. Trouxe chocolate quente nesse frio e também alguns filmes, prefere isso? - Ele sorriu e ela abriu o portão pra ele.
- Prefiro, mas você em casa? Não sei se pode. - Mordendo o lábio, eles subiram e a colega de apartamento estava ali arrumando a cozinha.
- Hm, amigo seu? Que novidade. Bem, fique à vontade. Eu sou Gisele e você é?
- Victor. - Ele sorriu percebendo o olhar fixo da sua menina misteriosa. Não tinham tocado nos nomes ainda.
- Bom, eu vou na festa da medicina, se comportem. Ouviu Pâmela? - Corou nas bochechas, assentindo.
- Somos só amigos. - Ela acentuou, afastando-se dele um pouco.
Foram sentar no sofá enquanto sua amiga se preparava para sair, enquanto isso ficaram fazendo guerra com os polegares.
- Você é bom. - Ela disse, dando tchau para a amiga que saía.
- Muahahaha, agora você é toda minha. - Victor disse, fazendo cócegas em Pâmela que gargalhava o tempo todo, escorregando do sofá.
- Para.. - Ela falou entre as risadas, sem fôlego. - Por favor. - Com mais risadas ele parou. - Por um momento pensei que fosse me atacar.
- E foi exatamente o que eu fiz. - Rindo, escolheram o filme do Thor e colocaram.
Sentaram no chão tomando o chocolate quente que ele havia trazido assistindo o filme.
- O chocolate estava muito bom, foi você que fez?
- Foi. - Terminou o filme e ela levantou para tirar o DVD.
- Tá meio tarde, você já vai?
- Já sim. - Ele falou, guardando os filmes e a garrafa térmica na mochila. Quando ele passou pela porta ela fez um biquinho.
- Olha aí, já está gostando de mim. - Sorrindo, eles desceram e ela abriu o portão.
- Foi legal hoje.
- Foi sim. Vamos fazer isso mais vezes.
- Claro. - Ele a abraçou apertado.
- Vá pra dentro, tá frio e você esses dias estava doente.
- Tá bom, papai. - Revirando os olhos ela esperou ele desaparecer na esquina e fechou o portão do prédio.
O que ela não imaginava é que o carro dele estava bem ali.
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